LITERATURA SOBRE TESTES PSICOLÓGICOS

 
 

 

 


Trechos extraídos do livro: Testes Psicológicos – Anne Anastasi – 2ª ed. Revista – Editora Pedagógica e Universitária Ltda.

 

Pág. 35:    “Existem duas razões principais para controlar o uso dos testes psicológicos: (a) evitar familiarização do público com o conteúdo do teste, o que o invalidaria e (b) assegurar que o teste seja utilizado por um examinador qualificado.”       

Pág. 35:  “.......É claro que o conteúdo de teste dever ser controlado, de forma a evitar esforços deliberados de falsificar  resultados”

Pág. 35 e 36:   “....Um professor, por exemplo, pode dar prática especial para a classe, em problemas semelhantes aos de um teste de inteligência, ‘para que os alunos estejam bem preparados para serem testados’. Tal atitude é simplesmente uma extensão do procedimento comum de preparação para provas escolares. Quando aplicada a um teste de inteligência, entretanto, é provável que tal treino específico ou instrução melhorem os resultados no teste sem influir consideravelmente na área mais ampla de comportamentos que o teste tenta mostrar. Nestas condições, reduz-se a validade do teste como instrumento preditivo.”

 

Págs 36 e 37     “...Para interpretar qualquer resultado de teste, são essenciais alguns dados referentes ao indivíduo testado. O mesmo resultado pode ser obtido, por razões muito diferentes, por pessoas diferentes. Portanto, as conclusões sobre tais resultados seriam muito diferentes. Finalmente, deve-se levar em consideração os fatores especiais que podem ter influído num determinado resultado; por exemplo, condições estranhas de aplicação,  estado emocional ou físico momentâneo do indivíduo, experiências recentes, predisposições para respostas, ‘conhecimento de testes’ ou extensão das experiências anteriores do sujeito com situações de teste.”

Pág 39: “Os testes, ou a maior parte deles, não devem ser publicados em um jornal, revista ou livro popular,....”  “.....qualquer publicidade dada a itens específicos de deste levarão à invalidação, no futuro, do uso do teste em outras pessoas.”

 

pág 43:  “Condições de teste.  A padronização do procedimento se aplica não apenas às instruções verbais, horários, materiais e outros aspectos dos testes em si mas também ao ambiente do teste. Deve ser dada atenção para a escolha de uma sala de teste agradável. Essa sala deve estar livre de ruídos indevidos e distrações e deve proporcionar facilidades de iluminação,ventilação e assento, e espaço de trabalho para os sujeitos.” “.....É importante compreender a extensão em que as condições de testes podem influir nos resultados. Mesmo aspectos aparentemente sem importância na situação de teste podem alterar o desempenho apreciavelmente. Um fator como o uso de carteiras tipo escrivaninha e tipo de cadeira com braço, por exemplo, provou ser significante em um projeto de testes coletivos com estudantes do segundo grau; os grupos que usaram escrivanihas tendiam a obter resultados mais altos (Kelley, 1943; Traxler e Hilkert, 1942).”

 

Pág 553:   “O comportamento medido pelos testes de personalidade é também muito mais mutável do que o medido pelos testes de capacidade. Este último fato torna mais complexa a determinação  de precisão do teste, pois a fortuitas flutuações temporais no desempenho do teste tendem a confundir-se com mudanças amplas e sistemáticas de comportamento. Mesmo em intervalos relativamente pequenos, não se pode supor que as variações na resposta ao teste se restrinjam ao teste e não caracterizem a área de comportamento não-testado, sob consideração.

            Outro problema é apresentado pela maior especificidade de resposta, na esfera da personalidade. Por exemplo, um indivíduo pode ser muito mais sociável e extrovertido no escritório, mas ser acanhado e introvertido em reuniões sociais formais. Um estudante que ‘cola” no exame pode ser muito escrupuloso em questões de dinheiro.”

 

Pág. 554:  “As reconhecidas dificuldades dos atuais dos atuais inventários de personalidade podem ser enfretadas de duas maneiras. Em primeiro lugar, os inventários de personalidade podem ser reconhecidos como instrumentos intrinsecamente grosseiros, e sua aplicação pode ser limitada de acordo com isso.”  “Exemplo específico da primeira forma de enfrentar o problema é apresentado pelo uso de um inventário de personalidade apenas como um ponto de partida para uma entrevista clínica. Em tais casos, o entrevistador pode não avaliar o inventário segundo a forma padronizada e apenas examinar as respostas da pessoa, a fim de identificar as áreas de problema que deverão ser examinadas durante a entrevista.”

 

Pág. 557:   “Por outro lado, os inventários de personalidade foram muito criticados a partir da suposição de que suas respostas são necessariamente ambíguas. Uma clássica dessa dificuldade foi apresentada por Allport, ao escrever:

 

            Supõe-se que a situação estimulante seja igual para todos os sujeitos e que suas respostas tenham um significado constante. Um teste supõe, por exemplo – e com algumas razões, em função da probalilidade estatística – que uma pessoa que, visivelmente, escolhe uma cadeira da frente na igreja ou num espetáculo deve, geralmente, receber um resultado positivo em ascendência. Mas, na realidade, a pessoa pode procurar um lugar na frente não porque seja dominadora, mas porque tem dificuldade de audição. Ou um teste pode supor, também, com justificação estatística (empírica), que uma pessoa que afirma manter um diário é introvertida; no entanto, através de uma verificação mais minuciosa (que um teste não pode fazer) é possível verificar que o diário é quase exclusivamente um livro de contabilidade, escrito não por causa de introversão, mas por causa de preocupação com dinheiro. É falso supor que todas as pessoas tenham as mesmas razões psicológicas para respostas semelhantes. No nível de personalidade, não se pode dizer, com certeza, que os mesmos sintomas de duas pessoas indiquem o mesmo traço, nem que diferentes respostas indiquem, necessariamente, diferentes traços. Todos os testes mentais são incapazes de dar um desconto suficientemente amplo para a interpretação individual de seqüências de causa e efeito (Allport, 1937, p. 449)”

 

Pág. 557:  “Naturalmente, é possível reduzir a freqüência de respostas ambíguas ou equívocas através da formulação mais específica dos itens e pelo acréscimo do número e variedade de itens usados para avaliar um determinado traço de personalidade.” “Por que é que a ambigüidade é um problema mais sério nos testes de personalidade do que nos de aptidão? A resposta pode ser encontrada na ‘maior padronização da biografia de reações do indivíduo na esfera intelectual’. Por exemplo, o sistema de educação formal em nossa cultura assegura relativa uniformidade de interpretação para, digamos, itens de cálculo aritmético ou de vocabulário. Mas não existe este fundo de experiência comum anterior para a preparação de itens de teste de personalidade.”

 

Sobre avaliação de técnicas projetivas:

 

Pág 592:   “ A principal característica distintiva das técnicas projetivas está na apresentação de uma tarefa relativamente não-estruturada, i. é, uma tarefa que permite variedade quase ilimitada de respostas possíveis.”

 

Pág. 614:  “Igualmente séria é a falta de objetividade na avaliação. Como se recorda, mesmo quando se tenham desenvolvido sistemas objetivos de avaliação, os passos finais, na avaliação e integração dos dados brutos, dependem da habilidade e da experiência clínica do examinador. Essa situação tem várias implicações. Em primeiro lugar, reduz o número de examinadores qualificados para empregar a técnica e, assim, limita a amplitude de sua aplicação efetiva. Significa, também, que os resultados obtidos por diferentes examinadores podem não ser comparáveis, fato que dificulta a pesquisa com o instrumento. Contudo, a implicação  mais inquietadora talvez seja o fato de a interpretação dos resultados ser, para o examinador, tão projetiva quanto os estímulos do teste são para o sujeito. Em outras palavras, a interpretação final das respostas ao teste projetivo pode revelar  mais coisas a respeito da orientação teórica, das hipóteses prediletas e das características de personalidade do examinador do que a respeito da dinâmica da personalidade do sujeito.”

 

Pág. 614 e 615:  “....Muitas vezes, a interpretação e realização em teste projetivo envolve normas de subgrupo, subjetivas ou objetivas. Assim, o clínico pode ter uma imagem subjetiva e geral do que constitui um esquizofrênico ‘típico’ ou uma realização neurótica em determinado teste. Ou, então, os dados publicados podem apresentar normas qualitativas ou quantitativas que delineiam a realização característica de diferentes grupos diagnósticos. Em qualquer dos casos, as normas do subgrupo podem levar a interpretações falsas, a não ser que os subgrupos sejam igualados quanto a outros aspectos.”

 

Pág. 615:  “Precisão. Diante dos processos relativamente não padronizados de avaliação e das inadequações dos dados normativos, a precisão do avaliador torna-se uma consideração importante nos testes projetivos.”

 

Pág. 615:   “Foram realizados poucos estudos sobre a precisão de avaliador nos testes projetivos. Algumas pesquisas verificaram divergências marcantes nas interpretações dadas por aplicadores razoavelmente bem qualificados. Uma ambigüidade fundamental, nesses resultados, decorre de uma contribuição desconhecida da habilidade do avaliador.”

 

Pág. 617:   “Quase todos os estudos publicados sobre validação de técnicas projetivas deixam de apresentar conclusões decisivas, por causa de deficiências de processo, seja nos controles experimentais, seja na análise estatística, seja em ambas as coisas. Isso é especialmente verdade a respeito de estudo sobre o Rorschach.”

 

 

Pág. 617:  “Outra fonte comum de dados espúrios de validade decorre da impossibilidade de obter validação cruzada (ver, p. ex., Kinslinger, 1966). Por causa do grande número de sinais potenciais de diagnótico, ou de elementos avaliáveis que podem ser derivados da maioria dos testes projetivos, é muito fácil descobrir, apenas por acaso, um conjunto de sinais que diferenciem, de maneira singificativa, grupos de critério. No entanto, a validade dessa chave de avaliação cairá a zero, quando aplicada as novas amostras.”

 

Pág. 619: “Poucos projetos de pesquisa foram planejados a fim de evitar todos os principais perigos na validação de testes projetivos.”

 

Pág. 619 e 620: Transcrição de itens relacionados ao título: Instrumento Psicométrico Versus Instrumento Clínico. “A Hipótese Projetiva. Uma suposição fundamental de todas as teorias projetivas é que as respostas do sujeito a estímulos ambíguos apresentados refletem atributos significativos e relativamente constantes de personalidade. Todavia, existe um grande corpo em expansão de dados de pesquisa, indicando que muitos outros fatores afetam as respostas de teste projetivo do sujeito. Para a amplitude com que foi medida a precisão de reteste, observaram-se, freqüentemente, mudanças temporais marcantes, indicando a operação de um erro casual considerável. Vários estudos experimentais, demonstrando a influência de fatores como apetite, falta de sono, drogas, angústia e frustração nessas respostas, forneceram uma prova mais direta com relação à suscetibilidade de respostas do teste projetivo  estados temporários.

            Além disso, a variabilidade da resposta associada, mesmo com ligeiras variações, nas características de estímulo, sugere que as respostas são estímulo específico e, portanto, de generalização discutível. De maneira semelhante, foram encontradas diferenças significativas de resposta com relação a condições de instrução, características do examinador e percepção do sujeito na aplicação do teste. Os fatores de capacidade – e principalmente a capacidade verbal – influem claramente nos resultados da maioria dos testes projetivos. Em vista de todas estas descobertas, as respostas do teste projetivo só podem ser significativamente interpretadas quando o examinador tem vasta informação acerca das circunstâncias em que foram obtidas, e das aptidões e nível da experiência do sujeito.”

 

Pág. 621:  “Em resumo, muitas pesquisas tendem a lançar dúvidas sobre hipótese projetiva. Existem muitas provas de explanações alternativas podem explicar tão bem ou melhor as respostas do sujeito a estímulos de testes não estruturados.”

 

Pág. 621:  Técnicas Projetivas como Instrumentos Psicométricos. Além de seu princípio teórico-racional discutível, as técnicas projetivas são, evidentemente, consideradas deficientes quando avaliadas com relação a padrões de testes. Isso é evidente a partir dos dados resumidos na seção anterior com relação à padronização de processos de aplicação e avaliação, suficiência de normas, precisão e validade. É verdadeiramente impressionante a quantidade de estudos publicados que fracassaram ao demonstrar alguma validade de técnicas projetivas como a de Rorschac, e a de Desenho de Figura Humana. Todavia, após três décadas de resultados negativos, a situação das técnicas projetivas permanece invariável. As palavras de um resenhador dizem: ‘Existem ainda clínicos entusiastas e estatísticos em dúvida’ (Adcock, 1965).

 

Pág. 622:  “Técnicas Projetivas como Instrumento Clínicos. As técnicas projetivas, em vez de serem consideradas e avaliadas como instrumentos psicométricos, ou testes, no sentido rigoroso da palavra, estão sendo consideradas cada vez mais como instrumentos clínicos. Podem servir como auxílios qualitativos suplementares de entrevista nas mãos de um clínico hábil. Seu valor como instrumentos clínicos é proporcional à capacidade do clínico que as está usando. Portanto, as tentativas para avalia-las através dos processos psicométricos usuais seriam inadequadas.”